Servidor do TJAM teria recebido R$ 210 mil por acesso a autos sigilosos; Tribunal diz que “já está adotando as medidas cabíveis”

Um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) é citado no Relatório da Operação Erga Omnes por supostamente ter recebido R$ 210 mil e atuado como intermediador no acesso a informações que tramitavam sob segredo de Justiça. Em nota, a Presidência do TJAM informou que já está adotando medidas administrativas e que a instituição não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.
De acordo com o documento elaborado pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o servidor Izaldir Moreno Barros teria sido “cooptado” pela organização criminosa investigada por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro .
Segundo o relatório, Izaldir teria servido de ponte para fornecer informações sigilosas relacionadas a investigações criminais envolvendo pessoas ligadas ao grupo liderado por Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como chefe da organização .
Transferência de R$ 210 mil
A investigação aponta que Izaldir recebeu R$ 210 mil entre 2019 e 2020 da advogada Adriana Almeida Lima, conforme dados extraídos de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do COAF .
O relatório afirma que não há indicação formal da natureza das transferências e destaca que Adriana atua como advogada de Allan Kleber em processo judicial no Amazonas . Para a Polícia Civil, o valor e o contexto das investigações indicariam possível pagamento relacionado ao acesso a informações protegidas por sigilo.
O documento ainda registra a hipótese de participação de outro agente público do TJAM, o que dependerá de aprofundamento das investigações .
Entre os crimes apurados na Operação Erga Omnes está a violação de sigilo funcional, que ocorre quando um servidor público revela ou facilita o acesso a informação sigilosa obtida em razão do cargo.
Nota do Tribunal de Justiça do Amazonas
Em manifestação enviada à imprensa, a Presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas informou:
“O Tribunal de Justiça do Amazonas informa que já está adotando as medidas cabíveis, no âmbito administrativo, em relação ao servidor acusado de envolvimento no objeto da operação. A Instituição reafirma que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade do Poder Judiciário, não compactuando com quaisquer condutas incompatíveis com os deveres funcionais.”
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as responsabilidades individuais dos citados.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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