Ex-assessora de vereador presa em operação que apura ligação com o tráfico foi contratada por atuação em outros gabinetes, diz parlamentar

A ex-assessora parlamentar presa na manhã desta sexta-feira (20), no Centro de Teresina (PI), durante a Operação Erga Omnes, é investigada por suspeita de atuar como falsa advogada para corromper servidores da Justiça do Amazonas e obter acesso a processos que tramitavam sob sigilo.
Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi detida em ação da Polícia Civil do Amazonas com apoio da polícia do Piauí. Segundo a investigação, a operação apura um esquema ligado ao Comando Vermelho, que, conforme a polícia, mantinha um “núcleo político” com acesso a estruturas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com atuação estruturada voltada ao tráfico de drogas no Estado.
O relatório da Operação Erga Omnes, elaborado pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), aponta que Lucila teria atuado em conjunto com a advogada Núbia Rafaela Silva de Oliveira e junto ao servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Izaldir Moreno Barros . Segundo o documento, ela teria realizado transferências via PIX ao servidor com a finalidade de obter cópias de autos sob sigilo absoluto e “agilizar” tramitações processuais .
O relatório menciona ainda que Lucila se apresentava como advogada, embora não houvesse registro ativo em seu nome na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além da existência de ocorrência por exercício ilegal da profissão .
De acordo com o delegado Tales Gomes, da Diretoria de Operações Policiais (Deop), responsável pelo cumprimento do mandado, foram apreendidos no local aparelhos eletrônicos, anotações e o token de uma advogada regularmente inscrita na OAB-AM, que, segundo a polícia, seria utilizado pela suspeita. Ela foi interrogada e encaminhada ao sistema prisional.
A investigação também aponta que o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresas de fachada. A operação teve alvos em Minas Gerais, Ceará, Pará e Maranhão, além do Piauí e Amazonas.
Nota do parlamentar
Em nota enviada à imprensa, o parlamentar informou que Lucila atuou em seu gabinete entre 2022 e maio de 2024, na elaboração de documentos legislativos, não integrando mais a equipe há cerca de dois anos.
Segundo ele, a contratação ocorreu em razão da experiência prévia da ex-servidora nos gabinetes dos ex-vereadores Dante, Isaac Tayah e Homero de Miranda Leão, além dos ex-deputados estaduais Bi Garcia e Arthur Bisneto, onde teria exercido a mesma função técnica.
O parlamentar afirmou que, à época da contratação, ela apresentou certidão de antecedentes criminais sem registros e que não havia como prever eventuais condutas individuais indecorosas ou criminosas. O desligamento, segundo a nota, ocorreu por não atender às exigências técnicas e funcionais naquele momento, sem qualquer relação com os fatos atualmente apurados.
A defesa de Lucila Meireles Costa foi procurada. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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