Vazamento de conversa mostra médica admitindo erro na prescrição de adrenalina que matou criança; na delegacia ela atribui falha à técnica, e polícia marca acareação

O vazamento de prints desta semana revela que a médica Juliana Brasil Santos admitiu ter cometido um erro na prescrição da adrenalina que resultou na morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos — mas, ao depor à polícia, ela responsabilizou a técnica de enfermagem envolvida, Raiza Bentes Paiva. A divergência entre as versões empurra a investigação para uma acareação.
Juliana e Raiza prestaram depoimento nesta sexta-feira (28) no 24º Distrito Integrado de Polícia (24º DIP), em Manaus. 
De acordo com o relatório interno do hospital encaminhado à investigação, a médica reconheceu ter prescrito adrenalina por via intravenosa (EV) para Benício — uma aplicação que, para uma criança da idade dele, é considerada inadequada. A administração resultou em taquicardia, palidez, dificuldade respiratória e, em seguida, paradas cardiorrespiratórias. 
No depoimento à polícia, porém, Juliana afirmou que havia orientado que a medicação fosse aplicada por via oral ou por nebulização, e que não sabia que a técnica usou via intravenosa. Segundo ela, a equipe de enfermagem deveria ter questionado a via indicada na prescrição. 
Raiza, por sua vez, negou essa versão. Afirmou que seguiu rigorosamente o que constava na prescrição médica — ou seja, aplicação por via EV — e que não recebeu nenhuma instrução para uso oral ou nebulização. A mãe da criança também contestou a alegação da médica. 
O responsável pelo inquérito, o delegado Marcelo Martins, solicitou a prisão preventiva de Juliana, classificando o caso como homicídio doloso — o que significa que, segundo ele, a conduta representava risco à vida e demonstração de indiferença diante desse risco. 
Com a acareação marcada, a investigação segue em curso. A polícia analisa prontuários, relatórios hospitalares, documentos da UTI pediátrica e testemunhos para determinar quem de fato ordenou e autorizou a administração da medicação, e se houve negligência ou conduta intencional.




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