Caso Benício: acareação entre médica e técnica será usada para esclarecer versões divergentes

A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, ganhou novo desdobramento nesta sexta-feira (28): a polícia vai colocar frente a frente a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raíssa Marinho para esclarecer versões conflitantes sobre o atendimento. A decisão foi anunciada pelo delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso. 
Relembre o caso
No último sábado (23), Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia com sintomas de infecção respiratória — segundo a família, tosse seca e febre, suspeita de laringite. 
Durante o atendimento, foi prescrita ao garoto uma dose de adrenalina. A medicação foi aplicada por via intravenosa — procedimento que, segundo os pais, excedeu a dose segura. Logo após a aplicação, a criança passou mal, sofreu múltiplas paradas cardiorrespiratórias e acabou morrendo após ser levada à UTI. 
O hospital afastou Juliana Brasil Santos e Raíssa Marinho de suas funções assim que o caso tornou público. 
Divergências nos depoimentos
No depoimento desta sexta-feira, as versões apresentadas pela médica e pela técnica divergem em pontos centrais. Segundo o delegado Marcelo Martins, Juliana afirmou ter atuado imediatamente, enquanto Raíssa alegou demora no atendimento. Essa contradição sobre o tempo de resposta motivou a acareação entre as duas. 
Além disso, há outro debate sobre a prescrição e aplicação da adrenalina: Juliana declarou que prescreveu a medicação via nebulização, mas que o sistema teria alterado a via para intravenosa — usada pela técnica. A defesa da médica aponta erros de sistema, falhas de checagem (conferência de nome do paciente, dose, via e medicamento), e falhas na gestão hospitalar. 
Por sua vez, a técnica disse que desconhecia o chamado “protocolo dos 12 certos da medicação”, norma básica que exige conferência rigorosa antes de administrar remédios. Essa declaração surpreendeu o delegado, que considerou grave a falta de conhecimento sobre procedimentos essenciais. 
O que a defesa diz
O advogado que representa Juliana Brasil Santos, Felipe Braga de Oliveira, declarou que a médica está “profundamente abalada” com o desfecho do caso e nega ter agido com dolo (intenção ou aceitação de risco). Ele afirma que a paciente colaborou desde o início, participou da sindicância interna e das oitivas policiais, e que a acusação de homicídio doloso não se sustenta diante das circunstâncias apresentadas. 
Segundo a defesa, o erro pode ter origem em falhas de sistema do hospital ou na gestão da medicação — não em decisão consciente de causar dano. 
Próximos passos na investigação
Com a acareação marcada, a expectativa é que a polícia tente reconstruir o que realmente ocorreu no atendimento — se houve negligência, erro involuntário, falha humana ou falha institucional. Também serão analisadas imagens do hospital, prontuários e os registros internos de administração do medicamento, além de depoimentos de outros profissionais envolvidos. 
O resultado deverá ajudar a definir se o caso será tratado como erro médico, crime culposo (sem intenção) ou se há indícios de dolo — o que poderia agravar as consequências para os envolvidos.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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