Do interior do Amazonas ao reconhecimento internacional: estudante de Agroecologia da UEA vence prêmio e leva projetos amazônicos à China

Projetos de sustentabilidade e inovação desenvolvidos por Marcelly Câmara garantiram à estudante da UEA reconhecimento nacional e uma viagem à China
A estudante do curso de Agroecologia do Núcleo de Ensino Superior de Presidente Figueiredo da Universidade do Estado do Amazonas (NESPF/UEA), Marcelly Câmara, conquistou o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário, representando a região Norte. Natural de Urucará, no interior do Amazonas, ela ingressou na graduação aos 28 anos, com o objetivo de ampliar, por meio do conhecimento científico, iniciativas que já desenvolvia em comunidades do estado.
Suas ações abrangem diferentes áreas, desde o reaproveitamento de resíduos até a conservação de alimentos e a realização de atividades culturais em localidades rurais e ribeirinhas. Os projetos partem de demandas observadas no território e buscam desenvolver soluções acessíveis para questões ambientais e sociais da região.
Um dos destaques é o Vidros da Amazônia, iniciativa de tecnologia social que desenvolveu uma recicladora de garrafas e potes de vidro. O projeto já possibilitou a reciclagem de mais de 30 mil garrafas em Presidente Figueiredo, contribuindo para o reaproveitamento dos materiais e a redução do descarte de resíduos.
Outra iniciativa é uma desidratadora de alimentos de baixo custo, desenvolvida em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Com o uso da plataforma Arduino, o projeto resultou em quatro protótipos voltados à conservação dos alimentos, com potencial de contribuição para a segurança e a soberania alimentar das comunidades.
Na área cultural, Marcelly participa do Cine Cult Social Itinerante, projeto que leva cinema, arte e lazer a comunidades rurais e ribeirinhas. As atividades também utilizam o audiovisual como ferramenta educativa, com filmes relacionados a questões ambientais e sociais.
Experiência internacional e novas possibilidades de pesquisa
Como parte da premiação, Marcelly viajará à China para conhecer universidades, centros de pesquisa e instituições voltadas à tecnologia e à inovação. A experiência deverá permitir o contato com diferentes métodos de investigação e iniciativas que possam dialogar com os projetos desenvolvidos no Amazonas.
A estudante também pretende buscar possibilidades de aproximação entre instituições chinesas, a UEA e as iniciativas locais, com atenção especial às oportunidades de pesquisa em Presidente Figueiredo. O município recebe pesquisadores de diferentes partes do mundo e apresenta potencial para o desenvolvimento de estudos relacionados às características ambientais e sociais da região.
Conhecimento acadêmico conectado à realidade amazônica
A formação em Agroecologia também evidencia a importância da interiorização do ensino superior, ao aproximar o conhecimento científico das iniciativas desenvolvidas nas comunidades do interior do Amazonas. Para Marcelly, o apoio da universidade valoriza os talentos locais e amplia as oportunidades de transformar ideias em projetos com impacto social.
“É muito importante a gente ter o apoio da universidade, porque isso motiva e mostra que o nosso núcleo tem um grande potencial. Temos jovens muito capacitados que merecem esse reconhecimento. O prêmio também tem esse papel de incentivar outros estudantes a ingressarem na universidade e perceberem que podem protagonizar mudanças, independentemente de onde estejam. Às vezes, a Região Norte acaba sendo invisibilizada, e criar oportunidades para os estudantes daqui é uma forma de mostrar que temos muito potencial e muito a desenvolver”, afirma.
Para o reitor da UEA, André Zogahib, a conquista demonstra a capacidade dos estudantes e a contribuição da universidade para o desenvolvimento regional. “A conquista da Marcelly é motivo de orgulho para toda a comunidade acadêmica e evidencia o potencial dos nossos estudantes e a importância da interiorização do ensino superior. A UEA trabalha continuamente para que iniciativas locais ganhem força por meio da formação, da pesquisa e da inovação. Desejamos à Marcelly uma excelente viagem à China e que essa experiência abra novos caminhos para seus projetos, fortaleça parcerias e amplie as oportunidades de levar suas iniciativas ainda mais longe”, destacou o reitor.
Interiorização que fortalece talentos e iniciativas locais
Para Solange Nascimento, diretora do NESPF/UEA, a trajetória de Marcelly demonstra como a universidade pode contribuir para desenvolver práticas que já existem nas comunidades, ampliando suas possibilidades por meio da pesquisa, do ensino e da extensão.
“Você não interioriza somente a dimensão epistemológica do pensamento, mas também as práticas, a dimensão da extensão e da pesquisa, que acontecem no interior. O projeto da Marcelly começa antes do curso de Agroecologia, porque já era uma prática dela. Com a universidade, ela consegue ampliar aquilo que já vinha pensando a partir do campo científico”, destaca a professora.
A diretora também ressalta o potencial de expansão das atividades acadêmicas no município e a importância de criar condições para que iniciativas locais avancem. A oferta de cursos superiores permite aproximar a formação científica das experiências e necessidades da região, favorecendo o desenvolvimento de pesquisas vinculadas à realidade amazônica.
“A universidade pública chega até esses estudantes para trazer seus potenciais para dentro da academia e pensar de forma mais organizada, unindo teoria e prática em favor da sustentabilidade do Amazonas”, afirma a coordenadora.
Fonte: UEA
Foto: Gustavo Rodrigues




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