Influenciadoras no Amazonas: por que a popularidade não garantiu uma vaga no Legislativo

Desempenho de cinco candidatas coloca em discussão o peso das propostas, das alianças e da identificação com o eleitor
Com cerca de 6,3 milhões de seguidores no Instagram, Vivian Amorim recebeu 10.807 votos para deputada estadual pelo Amazonas nas Eleições 2026. A diferença entre o tamanho do público digital e a votação ajuda a ilustrar um desafio enfrentado por influenciadores que entram na política: ser conhecido não significa, necessariamente, ser escolhido para representar a população.
Vivian teve a maior votação entre as cinco candidatas deste levantamento, mas não conquistou uma cadeira. Isabelly Aurora, Magrinha Elen, Leilane Oliveira e Caila Carim também disputaram vagas no Legislativo e não foram eleitas.
Na corrida pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Isabelly Aurora (Avante) recebeu 3.758 votos e Magrinha Elen (Agir), 1.687. Leilane Oliveira (PSD) também concorreu à Casa. Caila Carim (MDB), por sua vez, somou 1.726 votos na disputa por uma das oito vagas do Amazonas na Câmara dos Deputados.
Os milhões de seguidores de Vivian dão dimensão à sua visibilidade, mas não representam um eleitorado disponível. Parte desse público mora fora do Amazonas, não está apta a votar ou acompanha seu trabalho sem compartilhar de suas posições políticas. Por isso, a comparação não permite calcular uma taxa de conversão de seguidores em votos.
A popularidade facilita a divulgação de uma candidatura. O desafio seguinte é demonstrar preparo, apresentar propostas e construir confiança para exercer o mandato.
No caso de Vivian, a entrada na política trouxe questionamentos sobre suas prioridades e alianças. Ao anunciar a pré-candidatura, ela mencionou compromissos com mães, crianças e idosos, mas ainda não detalhava as medidas que pretendia defender. A apresentação de causas, embora ajude a identificar uma candidatura, precisa ser acompanhada de explicações sobre como atuar por elas no Legislativo.
A escolha pelo União Brasil também provocou críticas. Vivian concorreu pelo grupo de Wilson Lima depois de ter criticado a gestão estadual em 2021, quando reclamou da demora na autorização para iluminar o Teatro Amazonas durante seu chá revelação.
O episódio estava relacionado a uma demanda pessoal e não caracterizava uma atuação de oposição ao governo. Ainda assim, a aproximação posterior com o mesmo grupo abriu espaço para cobranças sobre a coerência entre suas declarações e suas escolhas partidárias.
Wilson aparecia com índices elevados de rejeição em pesquisas anteriores à votação. Esse cenário integra o contexto da campanha, embora os dados disponíveis não permitam medir quanto a associação com ele influenciou o resultado de Vivian.
As demais candidatas enfrentaram o mesmo desafio de transformar reconhecimento em apoio eleitoral. Entretanto, não há elementos suficientes para atribuir o desempenho individual à falta de propostas, à polarização ou à rejeição à atividade de influenciadora.
Fora do Amazonas, outros nomes conhecidos também ficaram sem mandato. Tiririca não conseguiu se reeleger após quatro eleições consecutivas por São Paulo. Em 2026, disputou pelo Ceará, mudança de eleitorado que precisa ser considerada na comparação com seus resultados anteriores.
Manoel Gomes, conhecido pelo sucesso “Caneta Azul”, recebeu 7.239 votos para deputado federal por São Paulo e não foi eleito. O cantor MC Gui também não conquistou uma cadeira.
Esses resultados, porém, convivem com votações expressivas de nomes com forte presença digital, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato. Thammy Miranda também conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. Portanto, não há base para concluir que os eleitores passaram a rejeitar influenciadores e celebridades de forma geral.
Uma diferença que merece atenção é a relação construída com o público. Quem acompanha uma personalidade pelo entretenimento pode escolher outro nome para representá-lo. Uma audiência reunida em torno de posições políticas, por sua vez, pode encontrar na candidatura uma identificação que vai além da fama.
Essa é uma interpretação possível, não uma causa comprovada para o resultado das cinco candidatas. As urnas mostram que a visibilidade não assegurou um mandato. Entender o peso das propostas, das alianças e da confiança nessa escolha exige também ouvir os eleitores.
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Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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