01/09/2026

Augusto Cury cresce nas pesquisas e aparece como terceira força na disputa pela Presidência

         

Escritor alcançou 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus e 7,8% na AtlasIntel/Bloomberg; avanço ocorre após participação em debates e entrevistas

O escritor e psiquiatra Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, ganhou espaço nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira (31) e passou a aparecer como uma terceira força na disputa pelo primeiro turno das eleições de 2026.

Na pesquisa BTG/Nexus, Cury chegou a 11% das intenções de voto no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. O resultado o coloca atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 37%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 31%.

O crescimento foi registrado em apenas uma semana. No levantamento anterior, divulgado em 24 de agosto, Cury tinha 2%. Já na pesquisa espontânea, em que os entrevistados indicam o candidato sem receber uma lista de nomes, ele passou de 0% para 8%.

O avanço também apareceu na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Cury alcançou 7,8% das intenções de voto, contra 1,6% no levantamento anterior. O percentual o coloca em terceiro lugar e tecnicamente empatado com Renan Santos (Missão), que aparece com 7,6%.

Crescimento entre jovens

O desempenho de Cury chama atenção principalmente entre os eleitores mais jovens. Na pesquisa BTG/Nexus, ele alcança 22% das intenções de voto entre pessoas de 16 a 24 anos e 16% na faixa de 25 a 40 anos.

No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, o candidato do Avante tem 12,1% entre os eleitores de 16 a 24 anos e chega a 19,8% entre aqueles de 25 a 34 anos.

O crescimento nas pesquisas ocorre após uma semana de intensa exposição pública. Cury participou do primeiro debate presidencial, promovido pela Band, além de sabatinas e entrevistas em veículos de comunicação.

O candidato também ganhou milhões de seguidores nas redes sociais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ele ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores no Instagram e chegou a 10,7 milhões nesta segunda-feira (31).

Alternativa à polarização

Para o cientista político Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), o crescimento de Cury está relacionado à busca de parte do eleitorado por uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Segundo o analista, o escritor passou a ocupar um espaço semelhante ao que já foi preenchido por candidatos como Marina Silva, Ciro Gomes e Simone Tebet em eleições anteriores.

“Ele é o único candidato que não está girando em torno de Lula nem de Flávio”, avaliou Ortellado.

Na avaliação do especialista, a característica pode ter atraído principalmente eleitores jovens que ingressaram na vida política em um cenário marcado pela polarização.

O crescimento, segundo Ortellado, não seria resultado de uma ação artificial nas redes sociais. Ele afirma que o fenômeno foi confirmado pelas pesquisas eleitorais e pelo aumento das buscas pelo nome de Cury.

Apesar do avanço, o cientista político pondera que ainda é cedo para saber se o candidato conseguirá manter os atuais índices. Para ele, se Cury estiver ocupando o espaço deixado por nomes de centro e centro-esquerda, o candidato pode encontrar um limite entre 10% e 12% das intenções de voto.

Impacto no segundo turno

Mesmo que não consiga ameaçar Lula e Flávio Bolsonaro pela liderança no primeiro turno, Cury pode ganhar importância em uma eventual segunda etapa da eleição.

Na avaliação de Ortellado, caso o candidato consolide cerca de 10% dos votos, o apoio dele poderá ser disputado pelos dois principais concorrentes.

“Se Cury consolidar esses 10% e não cair, o apoio dele é fundamental no segundo turno”, afirmou.

O analista também avalia que os votos de Cury podem ter origem em diferentes grupos, incluindo eleitores de Lula, Flávio Bolsonaro e pessoas que pretendiam votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.

Apesar da possibilidade de influência no segundo turno, Ortellado afirma que Cury ainda não deve ser considerado um candidato com potencial para vencer a eleição. Para ele, o principal desafio será manter o crescimento e apresentar maior consistência política e ideológica.

Pesquisas

A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto ouviu 2.005 pessoas entre os dias 28 e 30 de agosto. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08900/2026.

Já a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.014 pessoas entre 25 e 30 de agosto, por meio de formulário eletrônico. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07972/2026.

Os resultados ainda refletem um cenário de pré-campanha e podem mudar até a eleição, marcada para outubro de 2026.

Com informações da Gazeta do Povo, Estadão e BBC News Brasil.

 

Fonte: Fatos Marcantes

Foto: BBC News   

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