22/07/2026

Rodoviários encerram paralisação após pagamento de salários e ônibus voltam a circular normalmente em Manaus

         

Movimento durou três dias e foi encerrado nesta quarta-feira (22), após empresas repassarem os valores da primeira parcela dos salários dos trabalhadores.

Os trabalhadores das empresas de transporte coletivo encerraram a paralisação em Manaus na manhã desta quarta-feira (22), após três dias de mobilização. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus, o retorno das atividades ocorreu depois que as empresas efetuaram o repasse dos valores referentes à primeira parcela dos salários da categoria.

A paralisação teve início na segunda-feira (20). De acordo com o sindicato, o movimento foi motivado pelo descumprimento da decisão da Justiça do Trabalho, que determina o pagamento de 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado.

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, após a confirmação do pagamento, os trabalhadores foram orientados a retomar as atividades. Ele informou ainda que o pagamento aos rodoviários seria concluído até o fim da manhã desta quarta-feira.

Durante os três dias de paralisação, a circulação dos ônibus seguiu a determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que estabeleceu a manutenção de parte da frota para evitar a interrupção total do serviço. A decisão previa 80% dos ônibus em operação nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h, e 50% nos demais períodos.

O esquema foi mantido durante toda a terça-feira (21) e nas primeiras horas desta quarta-feira, até o anúncio oficial do fim da paralisação.

O atraso no pagamento dos salários foi atribuído pelas empresas de transporte coletivo à falta de repasses relacionados ao Passe Livre Estudantil. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), há um débito de R$ 90,1 milhões referente ao benefício.

De acordo com a entidade, o montante em aberto soma R$ 90.184.740,19. Desse total, mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas, enquanto o restante caberia à Prefeitura de Manaus.

Na terça-feira (21), o prefeito Renato Júnior afirmou que o município não possui débitos referentes ao transporte coletivo em 2026. Segundo ele, a prefeitura já repassou cerca de R$ 284 milhões ao Sinetram neste ano.

Horas depois, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que também não há pendências relativas a 2026, mas reconheceu um passivo de R$ 150,4 milhões acumulado em anos anteriores. Conforme o instituto, cerca de R$ 91 milhões desse valor são de responsabilidade do Governo do Amazonas e R$ 59 milhões correspondem ao município.

Também na terça-feira, o vice-governador Serafim Corrêa contestou os números apresentados pelo Sinetram e afirmou que o Estado reconhece uma dívida de R$ 18 milhões, referente ao período entre fevereiro e julho de 2026. Segundo ele, o pagamento seria realizado em até 24 horas.

Na mesma noite, Serafim publicou nas redes sociais o comprovante da transferência do valor para a conta do Sinetram e afirmou que o Governo do Amazonas havia cumprido sua parte.

O impasse entre o Estado e as empresas de transporte está relacionado ao cálculo do valor do Passe Livre Estudantil. Enquanto o governo defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem — correspondente ao valor da meia-passagem estudantil —, o Sinetram argumenta que o benefício deve ser custeado com base na tarifa técnica do sistema, atualmente superior a R$ 8.

A divergência teve início em 2025, após o encerramento do convênio entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus para custear o Passe Livre Estudantil. Desde então, o Estado passou a defender o pagamento direto ao Sinetram com base no valor da meia-passagem e obteve decisão judicial autorizando esse modelo, além de garantir que estudantes da rede estadual continuassem tendo acesso ao benefício.

O Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus foram procurados para informar se há previsão de novos pagamentos relacionados aos débitos do transporte coletivo e do Passe Livre Estudantil citados pelo Sinetram e pelo IMMU. Até a última atualização desta reportagem, não houve resposta.

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