02/07/2026

Pergunta da população: Águas de Manaus instala câmera para mapear ruas onde ela mesma abriu buracos após asfaltamento da Prefeitura?

         

 

 

 

 

A Águas de Manaus anunciou o uso de um veículo com câmeras e sensores para mapear ruas que precisam de recomposição asfáltica na capital. Segundo a concessionária, o carro deve percorrer mais de 100 quilômetros de vias nos próximos dias para identificar pontos que necessitam de reparos após intervenções realizadas pela própria empresa.

A iniciativa, apresentada como reforço tecnológico, chama atenção menos pela inovação e mais pelo que tenta explicar. Afinal, os problemas nas ruas não são desconhecidos. Moradores, motoristas, comerciantes, a Prefeitura de Manaus e a própria agência reguladora já apontam, há meses, falhas em trechos abertos pela concessionária para serviços nas redes de água e esgoto.

A crítica é simples: a cidade não parece precisar de uma câmera para descobrir onde estão os problemas. A Águas de Manaus sabe onde fez obras, onde abriu valas, onde cortou o asfalto e onde deveria ter recomposto o pavimento com qualidade. Antes de sair filmando ruas, bastaria voltar aos locais das intervenções mais recentes para verificar o que foi deixado para trás.

O anúncio ocorre em meio ao desgaste entre a concessionária e a Prefeitura de Manaus. Nos últimos dias, o prefeito Renato Junior voltou a criticar a empresa por intervenções em ruas recém-asfaltadas, abertura de valas sem alinhamento adequado com o município e recomposições consideradas falhas após obras nas redes de água e esgoto.

Segundo a Prefeitura, Renato Junior chegou a flagrar uma frente de obra embargada da Águas de Manaus em atividade na rua Eugênio Gudin, no conjunto Jardim Versalles, bairro Planalto, mesmo após determinação municipal para suspensão de novas escavações relacionadas à expansão da rede.

A Ageman também notificou a concessionária por falhas na recomposição asfáltica e vazamento no bairro Planalto. O órgão regulador informou que a empresa é responsável pela adequada recomposição das áreas afetadas por intervenções nos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A própria Prefeitura já informou que a Ageman aplicou aproximadamente R$ 4 milhões em multas contra a Águas de Manaus nos cinco primeiros meses de 2026. Em declarações públicas, Renato Junior afirmou que as multas já ultrapassavam R$ 9 milhões e que novas autuações poderiam passar de R$ 10 milhões. O prefeito também disse que, se a concessionária não respeitar Manaus, poderá ser expulsa da cidade.

Nesse contexto, a imagem de uma câmera aparentemente improvisada em um veículo da empresa acaba virando símbolo do problema. A tecnologia pode até ajudar no acompanhamento dos serviços. Mas ela não responde ao principal: por que tantos reparos precisam ser refeitos depois de intervenções da própria concessionária?

O ponto central não é mapear o que a população já vê todos os dias. É corrigir. É voltar aos locais onde a empresa atuou. É recompor o asfalto de forma adequada. É respeitar ruas recém-recuperadas. É cumprir determinações da Prefeitura e da agência reguladora.

A cidade já sabe onde muitos problemas estão. Os motoristas sabem. Os moradores sabem. A Prefeitura diz que sabe. A Ageman notifica. A população reclama. O que falta é a Águas de Manaus demonstrar, na prática, que consegue abrir uma vala, executar o serviço e devolver a rua em condições adequadas.

A concessionária afirma que o monitoramento integra uma força-tarefa de recomposição asfáltica, com mais de 110 colaboradores e aplicação média de 130 toneladas de asfalto por dia. Ainda assim, o volume de reclamações, embargos e multas mostra que o desafio vai além de anunciar equipamentos ou percorrer ruas com sensores.

No fim, a câmera só fará sentido se servir para acelerar soluções em pontos que a empresa já deveria conhecer. Caso contrário, corre o risco de parecer apenas uma tentativa de dar aparência de controle a um problema que já tem origem, endereço e responsáveis identificados.

O Portal Fatos Marcantes solicitou entrevista com o presidente da Águas de Manaus para tratar das reclamações recorrentes, das obras embargadas, das multas e dos questionamentos sobre o descumprimento de determinações municipais. Até o momento, a empresa ainda não confirmou a entrevista.

Enquanto isso, fica a pergunta: a concessionária está usando tecnologia para resolver os problemas nas ruas ou para tentar justificar falhas que a população de Manaus já conhece há muito tempo?

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Fonte: Fatos Marcantes  

Foto: Aguas de Manaus  

 

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