16/06/2026

PGR rejeita delação de Vorcaro e nega que ele vá para prisão domiciliar

         

Para Procuradoria, dono do Banco Master não entregou nada que justificasse a colaboração. Ele deve trocar a sala de estado-maior da Polícia Federal pela Penitenciária da Papuda

A Procuradoria-Geral da República rejeitou, ontem, a nova proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A recusa foi informada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, de acordo com fontes da Corte ouvidas pelo Correio. A PGR também afirmou não ver motivos para que o dono do Banco Master cumpra prisão domiciliar e deixa para o STF a decisão para onde ele deverá ir — ele está detido em uma sala de Estado-Maior na Superintendência da Polícia Federal (PF) e a tendência é de que seja removido para a Penitenciária da Papuda.

A proposta de colaboração estava sendo avaliada pelos procuradores mesmo após ser rejeitada pela equipe da PF — que já havia descartado a possibilidade de colaboração, na semana passada, por falta de elementos às investigações. Mas à medida que as investigações avançam, aumentam as dificuldades para o fechamento de um acordo que permita a Vorcaro entregar o que sabe.

Na avaliação dos investigadores, Vorcaro está apresentando informações superficiais e com poucas provas. Há a suspeita também de que ele está tentando proteger pessoas com as quais criou conexão, nos Três Poderes, na expectativa de que receba algum auxílio delas para livrar-se de uma condenação mais pesada. Para a PGR, a delação foi rejeitada por não conter elementos básicos que auxiliem na condução do caso, sem contar a falta de informações relevantes.

No mês passado, a PF rejeitou uma primeira versão da proposta de delação do ex-banqueiro. Na ocasião, os investigadores ainda deram a oportunidade para que a defesa apresentasse anexo, com informações solicitadas pelas equipes, para auxiliar no esclarecimento do caso. Nesta segunda vez, o banqueiro teria se preocupado mais em se defender e justificar repasses milionários para autoridades do que revelar a participação de outros envolvidos no esquema e destacar fatos novos.

Não há limite de vezes para que uma tentativa de firmar delação seja apresentada, mas os investigadores trabalham com a hipótese de que Vorcaro pode voltar a procurá-los no momento em que for submetido a um regime mais duro de prisão. Isso representa, principalmente, uma maior dificuldade de contato com advogados. Nesse período de aproximadamente três meses em que está na Superintendência da PF, mais de uma dezena de defensores diferentes estiveram com ele. No sistema penitenciário, há uma restrição severa a isso.

A primeira proposta de delação foi recusada pela PF e pela PGR, mas a equipe do procurador-geral Paulo Gonet deixou a negociação aberta e pediu à defesa de Vorcaro que complementasse lacunas do acordo. Depois disso, o banqueiro trocou a equipe de defesa e reformulou sua tentativa de delação, entregando novos anexos. Mas, ainda assim, o material não foi suficiente para convencer.

Uma das mudanças foi confessar que fez pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) como propina. Na primeira tentativa de delação, o dono do Master dizia que bancou benesses ao presidente do PP — como viagens, festas e mesada de R$ 300 mil — por amizade, sem buscar nada em troca. Procurado, o parlamentar não se manifestou.

Campanha eleitoral

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a negar irregularidades na relação com Vorcaro, no evento promovido pela revista Veja, em São Paulo. Disse que sua relação com o dono do Master restringiu-se ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, trata-se de um investimento privado sem irregularidades. “A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não tem absolutamente nada de errado, é uma relação privada, um investimento”, explicou.

A cobrança sobre o caso ocorre após a divulgação pelo site The Intercept Brasil, de áudios e mensagens em que o senador aparece tratando diretamente com Vorcaro sobre a captação de recursos para o financiamento do filme. O material ampliou o desgaste da pré-campanha do senador e passou a ser explorado por adversários — e se refletiu na queda em pesquisas de intenções de votos.

Já o pré-candidato pelo partido Novo, Romeu Zema, salientou que, mesmo morando na mesma cidade que o ex-banqueiro, nunca se encontrou com o empresário. A participar do mesmo evento em que Flávio esteve, voltou a alfinetá-lo. “Falo que a assombração sabe para quem aparecer. E para mim não apareceu mesmo, e nem vai aparecer. Eu fiz um governo sem escândalo, sem esquema. O banqueiro bandido mora em Belo Horizonte, para onde eu me mudei há oito anos. Morando na mesma cidade dele, nunca o encontrei”, assegurou. (Com Agência Estado)

 

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Instagram

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