Escândalo: compra de área equivalente a 84 mil campos de futebol no Amazonas envolve Grupo Master

Uma negociação milionária envolvendo uma área de aproximadamente 60 mil hectares em Carauari, no interior do Amazonas, passou a ser alvo de questionamentos após um processo de usucapião concluído em cerca de quatro meses resultar em contratos ligados ao mercado internacional de crédito de carbono e envolver nomes associados ao Grupo Master.
O caso foi revelado no programa Manhã de Notícias, apresentado pelo jornalista Ronaldo Tiradentes, e envolve o chamado Seringal Concórdia. Segundo documentos citados durante a transmissão, a área — equivalente a cerca de 84 mil campos de futebol — teria sido reconhecida judicialmente por meio de uma ação de usucapião que tramitou entre março e julho de 2023 na comarca de Carauari.
A rapidez da tramitação chamou atenção durante a reportagem. O processo teria sido concluído sem recursos e com concessão de justiça gratuita, apesar dos valores milionários posteriormente envolvidos na negociação da área.
Dias após o trânsito em julgado, o imóvel teria sido vendido por R$ 36,5 milhões para a empresa BRICKELLKEY Participações S.A., companhia aberta em 2024 com capital social declarado de R$ 100 mil, segundo os documentos apresentados no programa. O ITBI da operação teria ultrapassado R$ 2 milhões, após avaliação do imóvel em mais de R$ 55 milhões.
O nome citado como sócio da empresa é José Antônio Ramos Bittencourt, apontado durante a reportagem como associado a operações ligadas ao mercado de crédito de carbono e mencionado em reportagens nacionais envolvendo negócios relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e ao Grupo Master.
Segundo documentos exibidos no programa, posteriormente a área teria sido vinculada a um contrato envolvendo a empresa Latin America Bank Company, sediada em Nova York, para exploração exclusiva de crédito de carbono.
Durante a transmissão, o apresentador também levantou questionamentos sobre a origem da área, afirmando acreditar que o terreno possa ser terra pública federal ligada ao Incra. Ele informou ainda ter buscado informações sobre eventual investigação da Polícia Federal relacionada ao caso.
O tabelião Joaquim Ferreira Neto, responsável pelo cartório extrajudicial de Carauari, afirmou em entrevista ao programa que realizou a averbação da matrícula após receber ordem judicial para cumprimento em três dias. Segundo ele, a determinação previa punição em caso de descumprimento.
O registrador declarou ainda que não identificou irregularidades formais no momento do registro, argumentando que o processo judicial indicava participação de órgãos como União, Estado, Ministério Público e Incra.
A reportagem também citou que herdeiros ligados à área teriam ingressado com ação rescisória no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Até o momento, não há confirmação oficial pública sobre eventual inquérito da Polícia Federal envolvendo o caso. Também não houve manifestação do TJAM, do Ministério Público, da BRICKELLKEY Participações S.A. ou dos citados na reportagem sobre os questionamentos levantados durante a transmissão do programa.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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