Cheia pressiona interior do AM e MP passa a cobrar plano preventivo em Anamã

Com mais de 133 mil pessoas afetadas e 15 municípios em emergência, órgão abre procedimento para acompanhar ações antes do pico das águas
O avanço da cheia no Amazonas já atinge mais de 133 mil pessoas e amplia a pressão sobre municípios do interior, especialmente na região do Baixo Solimões. Nesse cenário, o Ministério Público do Estado do Amazonas decidiu intensificar o acompanhamento das medidas adotadas em Anamã, uma das cidades que historicamente sofre com o transbordamento dos rios.
A fiscalização ocorre em um momento em que o número de municípios em situação de emergência chegou a 15, segundo a Defesa Civil. Além disso, há cidades em estado de alerta e atenção, indicando um cenário de evolução gradual da cheia em diferentes regiões do estado.
Em Anamã, o procedimento aberto pelo MP tem caráter preventivo e mira principalmente a preparação do município para enfrentar os efeitos mais severos da subida das águas. A preocupação envolve desde a retirada de famílias de áreas de risco até a garantia de assistência básica durante o período crítico.
“O procedimento permite acompanhar se o poder público está se preparando com antecedência, evitando que situações previsíveis se transformem em crises ainda mais graves”, afirmou o promotor de Justiça Matheus de Oliveira Santana.
Na prática, o órgão quer verificar se há planejamento estruturado para reduzir danos recorrentes registrados todos os anos, como perdas materiais, interrupção de serviços e aumento da vulnerabilidade social.
“O foco é proteger as pessoas, principalmente as famílias que enfrentam essas dificuldades ano após ano”, acrescentou o promotor.
Para isso, foram solicitadas informações formais à Defesa Civil municipal e à gestão local, com prazo de 15 dias. Entre os pontos cobrados estão a existência de plano de contingência atualizado, o mapeamento de áreas de risco, a estrutura de abrigos e a organização da logística de atendimento emergencial.
Também entram no monitoramento a previsão de recursos para enfrentar a cheia e as ações já em andamento nas áreas de saúde, assistência social, educação e infraestrutura.
Enquanto isso, o cenário segue em agravamento em outras regiões. Municípios como Guajará e Tonantins já registram níveis elevados dos rios, reforçando o alerta para as próximas semanas, período tradicionalmente marcado pela intensificação da cheia.
A Defesa Civil segue monitorando os níveis dos rios e prestando apoio às áreas atingidas, enquanto órgãos de controle passam a reforçar a cobrança por planejamento antecipado nos municípios mais vulneráveis.




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