Amazonas Flat vira “bomba-relógio” após Corpo de Bombeiros apontar risco à vida e interditar sistema de gás

O condomínio Amazonas Flat, onde vivem mais de 140 famílias, teve o sistema de gás interditado na noite desta quarta-feira (18) após o Corpo de Bombeiros identificar vazamentos em diferentes pontos da estrutura. Durante a vistoria, foram detectados sinais do problema em vários andares, o que levou à orientação para que moradores deixassem as unidades e à suspensão do abastecimento no prédio.
De acordo com o termo emitido pelos bombeiros, o sistema “encontra-se em desacordo com a legislação vigente e as normas de segurança, ocasionando risco às vidas dos moradores”. A medida foi adotada após nova inspeção motivada por denúncias recorrentes de vazamento.
Relatos de moradores mostram o clima de tensão. “Não pode fazer nada”, disse uma moradora, ao explicar que nem cozinhar ou fumar é considerado seguro. Em outro momento, o alerta é ainda mais direto: “A gente tem um problema muito mais sério, que é o risco de explosão”.
Segundo moradores, os bombeiros chegaram a ser dispensados inicialmente após a administração afirmar que não havia vazamento. “Ele mandou os bombeiros embora de manhã, disse que tava tudo bem. Se eu não desço, pegava os caras no meio do caminho”, relatou um residente, que afirma ter chamado a equipe de volta para a vistoria.
O problema, no entanto, não é recente. Em notificação extrajudicial, a Fogás já havia apontado, em fevereiro, “múltiplos pontos de vazamento”, além de “corrosão acentuada” na tubulação e equipamentos fora do prazo de validade. A empresa alertou que a rede de gás tem cerca de 35 anos e recomendou a substituição completa, destacando que “reparos pontuais não garantem a segurança”.
Além do sistema de gás, um laudo de engenharia também identificou infiltrações, fissuras, concreto deteriorado e ferragens expostas em partes da estrutura do prédio. O documento aponta que as falhas exigem intervenções para evitar riscos maiores à edificação.
Moradores relatam que o cheiro de gás continuou sendo percebido mesmo após o fechamento do sistema, o que aumentou a preocupação. “A gente não confia no pessoal da administração”, afirmou outro residente. Há também queixas de que o problema já vinha sendo registrado há dias, sem solução definitiva.
O caso já está na Justiça. Em decisão recente, o Tribunal de Justiça do Amazonas determinou que o processo continue na 14ª Vara Cível de Manaus e destacou a necessidade de análise urgente do pedido apresentado por moradores, justamente por envolver risco à segurança.
O cenário é considerado crítico. Com vazamentos confirmados, estrutura antiga e falhas apontadas por documentos técnicos e pelo Corpo de Bombeiros, o condomínio passa a ser visto pelos próprios moradores como uma espécie de bomba-relógio, onde o risco deixou de ser uma possibilidade distante.
A reportagem não conseguiu contato com a administração do condomínio até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.
Trecho Relatório Companhia de Gás

Termo de Orientação Bombeiros





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