A Urgência da Retomada: O Amazonas contra o Estado Paralelo

A segurança pública no Amazonas enfrenta um desafio crítico: a expansão do domínio territorial por facções criminosas. O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) ressalta a importância vital da retomada de territórios para restabelecer a ordem e a presença do Estado. Segundo ele, o distanciamento das forças policiais em certas áreas permitiu a ocupação criminosa, gerando um “Estado paralelo” que compromete a liberdade e a segurança da população.
“Hoje, a lucratividade das facções se dá mais pelo domínio territorial do que pelo tráfico de drogas propriamente dito”, afirma o Comandante Dan.
Ele detalha situações alarmantes onde líderes religiosos e parlamentares precisam de autorização do crime organizado para realizar suas atividades. Essa realidade, segundo o deputado, criou uma “cifra negra” alarmante, onde os cidadãos, por medo ou falta de confiança na polícia, recorrem aos chefes do tráfico para resolver conflitos cotidianos.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) corroboram essa preocupação. O Amazonas registrou um índice de violência preocupante, com Manaus figurando entre as capitais mais violentas do país. A presença de facções criminosas é uma realidade consolidada , tanto na capital, quanto no interior, impulsionando o controle social por meio do medo.
Para reverter esse quadro, o Comandante Dan defende uma atuação estatal multifacetada. A presença ostensiva das polícias nas ruas é fundamental, mas insuficiente se isolada. É necessário implementar programas de defesa social que integrem segurança com ações de cidadania, educação e saúde.
“Quem manda no Estado é o Estado de Direito”, enfatiza o parlamentar, destacando a urgência de estratégias que devolvam a soberania governamental às comunidades afetadas.
O fortalecimento das instituições e a reconquista da confiança popular são pilares essenciais para a segurança no Amazonas. A retomada de territórios não é apenas uma ação policial, mas um processo de reafirmação da legalidade e da proteção dos direitos humanos.
O deputado se coloca à disposição para colaborar com o poder público na formulação e execução de soluções que enfrentem essa crise estrutural:
“A luta contra a criminalidade organizada exige um compromisso firme e contínuo. Somente através de uma presença estatal robusta e da articulação entre segurança pública e assistência social será possível garantir um ambiente seguro e próspero para todos os amazonenses, desarticulando as estruturas do crime e devolvendo a paz às comunidades”, finalizou.
A governança criminal no Amazonas
Diversos estudos oficiais e relatórios de organizações de pesquisa em segurança pública atestam a existência de uma governança criminal no Amazonas, caracterizada pelo controle territorial, imposição de regras de conduta e domínio de rotas logísticas por facções.
Os dados mais detalhados e recentes vêm do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), através do estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”:
Governança e Controle Territorial
Presença de Facções: Segundo a 4ª edição do estudo (novembro de 2025), grupos criminosos estão presentes em 40% dos municípios do Amazonas (25 das 62 cidades).
Domínio e Disputa: O levantamento aponta que 17 facções diferentes atuam na região amazônica. O Comando Vermelho (CV) consolidou seu domínio no estado após 2023, mas o PCC e grupos locais/estrangeiros ainda disputam o controle de rotas fluviais e fronteiras.
Regras Tácitas: Em cidades como Tabatinga, o estudo destaca que o crime organizado exerce governança direta, impondo “regras comportamentais” que afetam até decisões pessoais dos moradores, como autorização para términos de relacionamentos.
Manaus como Epicentro Logístico
Corredor da Cocaína: Relatórios internacionais e nacionais (como o do FBSP de 2025) classificam Manaus como o epicentro do crime organizado na Amazônia. A capital funciona como um elo estratégico que conecta a produção de drogas dos países vizinhos (via Rio Solimões) aos mercados da Europa e África através de seus portos.
Cifra Negra e Justiça Paralela: Pesquisas acadêmicas (ex: SciELO/Dilemas) identificam que o “Estado paralelo” em Manaus atua em disputas cotidianas, onde a população muitas vezes recorre aos chefes locais do tráfico para mediar conflitos por falta de confiança ou presença efetiva do Estado de Direito.
Índices de Violência Letal
Taxa de Homicídios: Em 2024, o Amazonas registrou uma taxa de 27,4 mortes violentas por 100 mil habitantes, índice 31% superior à média nacional (20,8).
Cidades Mais Violentas: Manaus ocupa a 5ª posição no ranking de letalidade do estado (taxa trienal de 52,6), enquanto municípios da Região Metropolitana e fronteira lideram o índice: Iranduba: 102,3 (taxa por 100 mil hab.); Rio Preto da Eva: 81,5, e; Tabatinga: 77,4.
Intersecção Criminal
Estudos do IPEA (2024) e do FBSP mostram que a governança criminal no Amazonas não se limita ao tráfico, mas se funde a crimes ambientais (garimpo ilegal, grilagem e exploração de madeira). As facções utilizam a estrutura logística desses crimes para lavar dinheiro e fortalecer o controle sobre populações ribeirinhas e indígenas.
Os dados confirmam a tese defendida por autoridades e especialistas sobre a necessidade urgente de ações estatais integradas — que vão além da repressão policial e incluam a ocupação social dos territórios para romper a dependência da população em relação às estruturas criminosas.
Fonte: Ascom Deputado Dan Câmara
Foto: Divulgação




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