Deputados do Amazonas aderem à CPI e à CPMI do Banco Master após indícios de fraudes bilionárias

Deputados federais do Amazonas reforçaram, nos últimos dias, a pressão por uma apuração ampla sobre as suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Os parlamentares Amom Mandel e Fausto Júnior assinaram requerimentos que pedem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara dos Deputados, e de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), no Congresso Nacional.
As iniciativas miram suspeitas de fraudes financeiras, manipulação contábil, criação de ativos supostamente inexistentes e ocultação de um rombo estimado em mais de R$ 12 bilhões, conforme apurações em curso conduzidas pela Polícia Federal. O caso também é acompanhado por órgãos de controle e fiscalização.
Em nota encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central apontou irregularidades atribuídas à instituição financeira, incluindo falsificação de contratos e falhas graves de governança. As investigações analisam ainda a tentativa de transferência de passivos do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), o que poderia representar risco ao patrimônio público e ao sistema financeiro nacional.
Recursos previdenciários do Amazonas no foco
Na Câmara, três pedidos de CPI buscam esclarecer investimentos feitos por pelo menos 18 Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de estados e municípios no Banco Master, que somam cerca de R$ 1,86 bilhão. Entre os fundos citados está a AmazonPrev, responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos do Amazonas.
Segundo os requerimentos, os recursos teriam sido concentrados de forma considerada temerária em uma única instituição financeira, posteriormente submetida a processo de liquidação extrajudicial, o que acende alerta sobre riscos a aposentadorias e pensões.
Já os pedidos de CPMI ampliam o escopo da apuração ao incluir possíveis conexões político-institucionais, falhas de fiscalização e eventual omissão de autoridades regulatórias, além do risco de socialização de prejuízos privados por meio de bancos estatais.
Pressão por responsabilização
Para Amom Mandel, a atuação do Congresso é indispensável diante da gravidade das suspeitas. O deputado avalia que, se confirmadas, as irregularidades podem comprometer recursos previdenciários e afetar diretamente servidores públicos.
Fausto Júnior, por sua vez, já vinha defendendo a apuração do caso na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, inclusive com a realização de audiência pública. Para o parlamentar, a CPMI é fundamental para garantir transparência, responsabilização e respostas claras à sociedade.
As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, já resultaram em medidas cautelares, prisões e afastamento de dirigentes. Caso instaladas, a CPI e a CPMI poderão determinar a quebra de sigilos bancário, fiscal e de dados, além da convocação de gestores, reguladores e demais envolvidos, com o objetivo de identificar responsabilidades e propor mudanças para fortalecer a fiscalização do sistema financeiro e a proteção dos fundos previdenciários.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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