06/06/2026

Câmara de Borba arquiva cassação de vereadora que defendeu violência contra a mulher e abre processo contra opositora por ultrapassar tempo de fala e fiscalizar escolas e hospitais

         https://youtube.com/shorts/OiI29Di-yhE?si=8drEfltGav9RmvbS

Borba (AM) – A sessão da Câmara Municipal de Borba, realizada nesta segunda-feira (3), escancarou um contraste político que chamou atenção no interior do Amazonas. Em um mesmo dia, os vereadores arquivaram o processo de cassação da vereadora Elizabeth Maciel de Souza (Republicanos), aliada do prefeito, e abriram outro processo contra a vereadora Jéssica Caroline Góes da Silva (DC), de oposição, por motivos considerados frágeis e incomuns.

Elizabeth ficou conhecida nacionalmente em setembro, quando, durante sessão plenária, declarou:

“Tem mulher que merece apanhar, tem sim… Às vezes já presenciei situações em que a mulher se bate sozinha para condenar o homem.”

O caso gerou forte repercussão e levou à abertura de um processo político-administrativo por quebra de decoro parlamentar. No entanto, a Comissão Processante da Câmara apresentou parecer recomendando o arquivamento da denúncia, sob o argumento de que o processo carecia de legitimidade jurídica e requisitos formais, entre eles a confirmação dos eleitores que assinaram a representação.

O parecer teve como base um artigo da Lei Orgânica do Município, de 1967, e foi aprovado em plenário por seis votos a favor, um contra e uma abstenção, encerrando o caso.

Na mesma sessão, os vereadores aprovaram o recebimento de um novo processo de cassação, desta vez contra a vereadora Jéssica Caroline Góes da Silva, sob alegação de que ela teria ultrapassado o tempo de fala em plenário e realizado fiscalizações em escolas e hospitais sem autorização da Mesa Diretora da Casa.

A admissão do processo causou surpresa e levantou críticas por representar, segundo parlamentares da oposição, dois pesos e duas medidas. Enquanto a vereadora que defendeu a violência contra a mulher foi absolvida, a que cumpria o papel fiscalizador do Legislativo passou a responder a um processo de cassação.

A diferença de tratamento reforçou a leitura política de que a decisão teve viés partidário. Elizabeth integra a base de apoio ao prefeito de Borba, enquanto Jéssica é uma das principais vozes de oposição na Câmara.

A repercussão do caso reacendeu o debate sobre a autonomia do Legislativo municipal e os limites da atuação política em processos de cassação.

Nenhum comentário

    Você não pode copiar conteúdo desta página

    Fatos Marcantes
    Visão Geral de Privacidade

    Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.