18/07/2026

Lula diz que Pará deveria ter sido subsede da Copa em vez do Amazonas e reacende discussão

         

Em visita a Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a um tema que ainda provoca rivalidade regional: a escolha de Manaus como sede da Copa do Mundo de 2014. Durante discurso, Lula afirmou que, em sua visão, o Pará deveria ter sido contemplado com a subsede, em vez do Amazonas. A declaração reacendeu a discussão que começou ainda na fase de definição das cidades escolhidas pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local, em 2009.

A escolha política e os critérios da FIFA

Ao todo, 22 cidades brasileiras manifestaram interesse em receber jogos da Copa. Belém, com o Estádio Mangueirão, e Manaus, com o projeto da futura Arena da Amazônia, estavam entre as candidatas. Os critérios anunciados incluíam logística, capacidade hoteleira, transportes e adequação dos estádios. Na prática, além dos fatores técnicos, houve forte articulação política para garantir representatividade regional. O resultado foi a seleção de 12 cidades-sede, entre elas Manaus e Cuiabá, contemplando o Norte e o Centro-Oeste do país.

A exclusão de Belém gerou reação imediata no Pará. À época, políticos e dirigentes esportivos argumentaram que o estado tinha mais tradição no futebol brasileiro e condições de receber partidas, enquanto o Amazonas era considerado um centro emergente e sem equipes na elite nacional.

Arena da Amazônia e visibilidade internacional

A escolha trouxe para Manaus a construção da Arena da Amazônia, erguida no lugar do antigo Estádio Vivaldo Lima. Inaugurado em 2014, o estádio foi palco de quatro partidas da fase de grupos do Mundial: Inglaterra x Itália, Camarões x Croácia, Estados Unidos x Portugal e Honduras x Suíça.

Mesmo sem clubes locais disputando a Série A do Campeonato Brasileiro, a capital amazonense ganhou projeção internacional. A arena também foi usada nos Jogos Olímpicos de 2016 e se tornou símbolo arquitetônico do país, embora alvo de críticas pelo alto custo de manutenção.

Pará e sua tradição no futebol

O Pará, por outro lado, sempre destacou sua tradição esportiva. Paysandu e Remo, os dois maiores clubes do estado, já tiveram participações na Série A e acumulam títulos regionais e nacionais. Esse histórico alimenta até hoje a insatisfação local pela exclusão do Mundial.

No Amazonas, a trajetória é mais discreta. O Atlético Rio Negro, de Manaus, chegou a disputar seis edições da Série A em décadas passadas, mas o futebol amazonense perdeu espaço no cenário nacional. Essa diferença de tradição reforça a comparação entre os dois estados.

Rivalidade que atravessa os anos

Mais de uma década depois da Copa, o tema continua a ser motivo de embate político e esportivo. No Amazonas, parlamentares reagiram à fala de Lula, lembrando que a decisão de sediar jogos não foi baseada apenas em tradição esportiva, mas em critérios de representação e logística. No Pará, a declaração foi recebida como confirmação de um sentimento antigo de injustiça.

A discussão, portanto, segue viva. Enquanto Manaus exibe a Arena da Amazônia como legado, Belém mantém a narrativa de que deveria ter sido a escolhida. A lembrança de Lula, em 2025, apenas reforça um debate que permanece no imaginário dos dois estados.

 

 

Fonte: Fatos Marcantes

Foto: Divulgação

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