Controvérsia na escolha do Economista do Ano 2025

No processo de eleição do Economista do Ano 2025, promovido pelo Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima (Corecon‑AM/RR), ocorreu um fato inusitado: Farid Mendonça Júnior, economista, advogado, administrador e assessor parlamentar no Senado Federal, recebeu o maior número de votos entre os economistas registrados (59 votos) — o dobro dos 29 obtidos pelo segundo colocado, o vereador José Ricardo Wendling .
Paradoxalmente, apesar desse expressivo apoio da categoria, o título foi conferido a José Ricardo. O processo prevê três frentes de votação — pela categoria, pela plenária e pelo presidente do Corecon — e o resultado final leva em conta a soma ponderada dessas três esferas. No caso, embora Farid fosse o favorito entre os associados, José Ricardo conquistou a maioria na plenária e recebeu o voto decisivo da presidente do Corecon .
Essa aparente contradição entre o voto massivo da categoria e o resultado final levantou discussões sobre o peso político na escolha e sobre os critérios de representatividade do prêmio.
Importante destacar que Farid Mendonça possui trajetória reconhecida no campo da economia regional: atuou como relator ou consultor em temas cruciais como a reforma tributária e a manutenção de vantagens competitivas da Zona Franca de Manaus. Ele demonstrou expertise técnica, defesa do modelo econômico local e participação ativa em debates no Congresso Nacional, em especial no Senado .
Em resposta, o Corecon-AM/RR publicou nota explicando a transparência do processo, ressaltando que a escolha levou em conta requisitos como atuação profissional, contribuição ao sistema Cofecon/Corecon e à sociedade, e o cumprimento dos critérios formais estabelecidos em resolução específica, ressaltando a lisura das etapas .
O episódio evidencia um dilema recorrente em prêmios profissionais: o conflito entre reconhecimento técnico e processo institucional. Farid Mendonça reuniu forte base técnica e apoio da categoria, mas o sistema de votação, com múltiplos vetores decisórios, privilegiou outra figura pública com trânsito político mais forte. Isso levanta questionamentos legítimos sobre se o sistema representa adequadamente a vontade coletiva ou se resguarda interesses institucionais — e sobre a urgência de revisar mecanismos de escolha em busca de maior legitimidade democrática.
Fonte: Fatos Marcantes
Foto: Divulgação




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